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"Sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento." Pv. 4.7




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Receber ou Não Imigrantes e Refugiados?


Autor: Paulo Bichara

07/03/2017

A imagem de Aylan Kurd

Em primeiro plano importante pontuar claramente ambas as posições.

Os que defendem um veto de imigrantes ou refugiados alegam que o veto deve ser temporário e de pessoas de determinadas regiões de modo a evitar terrorismo ou insuficiência de recurso para mantê-los, por inexistir um sistema de verificação preciso que permita aferir quem seja ou não terrorista, bem como em razão da limitação econômica. 

Já aqueles que contrariam a ideia de banir imigrantes ou refugiados apontam claramente para uma necessidade de visão humanitária, ajuda ao necessitado, por não se tratar na sua maioria de terroristas ou pessoas maldosas, mas também mulheres e crianças que estão tendo de fugir forçadamente de uma guerra em que ou fogem ou morrem, precisando, pois, de abrigo.

Banir refugiados e imigrantes, mesmo que por um período, seria deixar, neste lapso, os carentes de ajuda à mercê do perigo, fome e dor?

Não banir seria arriscar a vida de milhares, seja com atentados terroristas, seja com insuficiência de recursos para manter todos, comprometendo a própria subsistência?

Vejamos a resposta para esta problemática a luz das escrituras:

Certa feita uma jornalista entrevistando um cristão que defendia o projeto de barragem de refugiados e imigrantes indagou-o a respeito do que diz Jesus sobre ajudar os necessitados:

“porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes.

Então, lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.”

Mateus 25:35, 40, 43, 45 ARC

Poderíamos recitar inúmeras passagens que nos ensinam o segundo maior mandamento, qual seja, amar ao próximo como a ti mesmo, sendo que na medida com que medirmos também seremos medidos (Lucas 6:38), uma passagem incrivelmente relevante é a que consta de Isaías 1:17:

“Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.”

Isaías 1:17 ARC

Precisamos ser sensatos em compreender que as escrituras sagradas não permitem margem para maior interpretação senão a que segue no texto abaixo:

“Não detenhas dos seus donos o bem, estando na tua mão poder fazê-lo.”

Provérbios 3:27 ARC

Note que na citação acima Deus ensina a não deter o bem do seu dono, isto é, não deixar de ajudar quem possui, a luz da Palavra de Deus, este direito, quando "está em tua mão poder fazê-lo".

Devemos sempre que pudermos ajudar aos necessitados, inclusive na obra de Deus. Paulo diz a Igreja de Corinto (II Co 8:11-12) que esta deveria ajudar de acordo com o que tinha e não com o que não tinha:

“Agora, porém, completai também o já começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes. Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem e não segundo o que não tem.”

2 Coríntios 8:11-12 ARC

Desta forma, ao nos recusarmos em receber refugiados ou imigrantes que estejam precisando de nossa ajuda, quando podemos financeira e seguramente recebê-los violamos o segundo maior mandamento, explicado pelo próprio Cristo.

Existe, ainda, outro ponto relevante, não podemos igualmente confundir a ajuda ao necessitado com alimentar a preguiça de alguém, como a Palavra de Deus claramente atesta:

“Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão.”

2 Tessalonicenses 3:10-12 ARC

 Atente-se ao que dispõe em Provérbios:

“O preguiçoso não lavrará por causa do inverno, pelo que mendigará na sega e nada receberá.”

Provérbios 20:4 ARC

Quanto a problemática apresentada, é, pois, necessário que seja realmente atestado se o país que está a receber os imigrantes e refugiados realmente pode recebê-los tanto no aspecto segurança, como de suporte financeiro. Um país não pode, embora amando as pessoas, receber centena, milhares, milhões ou bilhões de pessoas, e comprometer um número muito maior do que este com carência de sustento ou com risco de vida.

Ao invés de estar auxiliando, caso não tenha condições de fazê-lo, estará na verdade prejudicando. Evidenciado o risco de atentado terrorista ou de ausência de recursos para receber os refugiados ou imigrantes, pergunta-se: 

Qual vida mais vale a do que está entrando ou a do que está em seu país? Ambas não possuem o mesmo valor?

Não podemos ajudar a alimentar a preguiça de alguém, como também não podemos ajudar quando não está em nossas forças poder ajudar. Estar e nossa força ajudar significa que de fato podemos auxiliar o necessitado sem sacrificar outras vidas.

Houve na história um pastor renomado que, amando vidas que precisavam de oração, começou a orar por todos aqueles que queriam oração, gastava horas e horas impondo as mãos e orando por milhares de pessoas. Este pastor adoeceu! Em Eclesiastes aprendemos que há tempo para tudo. Não posso ler a bíblia o dia todo e não orar, ou apenas orar e não ler a bíblia, não é correto apenas trabalhar, mas também não é correto apenas dormir.

Preciso reconhecer que minha ajuda deve se estender no limite de meu alcance. 

É isto que Jesus ensina no mesmo capítulo de Mateus citado anteriormente em que orienta a ajudar o estrangeiro:

“E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas.

Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai- o para vós.

Mateus 25:2, 7-9 ARC

Antes de ajudar imigrantes ou refugiados primeiro, seja sábio e atente para o que está sendo dito; realmente estão precisando de ajuda? ("O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.” Provérbios 14:15). Segundo, verifique se não está sendo alimentada uma preguiça. Por fim, avalie em todos os aspectos, se o país que pretende ajudar realmente pode ajudar (segurança e recursos); gostaríamos de ajudar todos que precisam, mas se não tivermos condições de abraçar o planeta, não poderemos fazê-lo, deveremos ajudar na medida de nossa força.
 

Portanto, priorize o amor ao próximo, ajude, não feche os olhos e as mãos aos que precisam, mas jamais nos apartemos da sensatez tentando ajudar quando não podemos, buscando salvar uma vida, mas matando duas.

 

 



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